















Sábado da parte da tarde, dia 6 de julho, realizou-se, na sala das sessões da Assembleia de Freguesia, o Encontro Associativo e de Cidadania, que reuniu cerca de três dezenas de dirigentes associativos da Freguesia e igualmente eleitos para a assembleia de freguesia e os membros do executivo.
Para a sessão foram convidados três oradores que estão muito ligados às práticas associativas e comunitárias.
Ludgero Mendes, já com mais de sessenta anos e mais de quarenta anos dedicado à causa pública, desde a área desportiva, cultural, beneficência e política autárquica. Fundou recentemente o Grupo de Vizinhos de Marvila na cidade de Santarém, onde reside atualmente. Foi esta iniciativa que fundamentou o convite que dirigimos a Ludgero Mendes. Na sua intervenção, realizada através da plataforma Zoom, pormenorizou as razões e a missão deste grupo de vizinhos, priorizando o aconselhamento e a sugestão à Junta de Freguesia, bem como à Câmara Municipal, das questões alusivas ao espaço público, assim como, organizar e promover encontros e atividades de modo a acentuar a proximidade da vizinhança e, ainda, o apoio que vão dinamizando com a comunidade migrante.
O fundador do Grupo de Vizinhos referiu que ser importante uma política de aproximação a essas novas comunidades, cultivando o sentimento de proximidade, nomeadamente aproveitando os momentos festivos e valorizando, enfaticamente, a ideia de comunidade e cidadania ativa, procurando revigorar os valores da união, da solidariedade e da participação. Aliás, rematou dizendo que na outra vertente de ação a palavra-chave e apresentar soluções para os problemas sentidos na nossa rua, no nosso bairro, não ficando, apenas, pela lamentação ou criticar por criticar, mas ir ao encontro dos poderes autárquicos com soluções.
Após o uso da palavra, por Ludgero Mendes, houve ainda o registo de três questões, das quais ressalvamos as que colocaram tónica na participação e envolvimento da juventude no dirigismo associativo.
Seguiu-se a intervenção de Victor Amaral, docente no Instituto Politécnico da Guarda, vereador na Câmara Municipal da Guarda e já teve o pelouro da cultura e da juventude. Na sua alocução começou por apresentar o seu próprio percurso associativo, enquanto jovem na sua aldeia natal, Famalicão da Serra, quando criou uma associação de raiz.
Continuou com uma proposta de definição de associativismo, que compagina com cooperação, comunidade, partilha, participação social e outros tantos termos que fazem polissemia da palavra inicial. O vereador vê ainda o associativismo como escola paralela da cidadania, de democracia cultural, que contém um certo sentido de missão e ser também missionário.
Acrescentou ainda que, havendo possibilidade, é importante incentivar as associações a desenvolver as suas ações também no quadro de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e que os apoios deviam ter em linha de atenção estes mesmos objetivos.
Orientou depois as suas palavras para a importância de conquistar os jovens para o envolvimento associativo estudantil, e igualmente desde base. Mas na escola é fundamental resgatar uma cultura de voluntarismo e não só o individualismo, que hoje pauta em muito maior grau o dia-a-dia das sociedades. Faz sentido que haja incentivos para os jovens que se dediquem ao associativismo. A formação é outra área muito importante que os poderes públicos devem atender e considerar nas suas políticas de apoio e promoção do associativismo.
Ao findar a sua intervenção, tivemos a assistência a colocar algumas questões e também a apresentação de pontos de vista sobre o que foi aduzido pelo orador.
Finalizou o conjunto de alocuções o designer, docente e investigador na Universidade da Beira Interior, Hernâni Alves, que veio apresentar os seus estudos de casos práticos que veiculam essencialmente situações de análise prospetiva.
Abordou as ferramentas e os recursos que utiliza nas sessões com os cidadãos para conseguir conduzir as linhas mestras que denotam as opiniões veiculadas pelos participantes nessas sessões.
Na opinião do investigador, é olhando de forma prospetiva que podemos alcançar novas soluções para o presente. Por último, aludiu a alguns relatórios internacionais que evidenciam as tendências em Portugal para o ano de 2050.
Efetuadas as três intervenções e igualmente um período de perguntas e respostas, renovou-se esse tempo e tivemos, ainda, por parte da assistência alguns contributos, muitos deles orientados para a participação da juventude, da dificuldade em conseguirmos a renovação dos dirigentes, sendo importante que subsista uma boa interligação entre as diferentes gerações. Por outro lado, a dificuldade nas nossas terras decorre do despovoamento e da saída de jovens profissionais com qualificações superiores, que procuram concretizar os seus projetos noutros locais.
A sessão ainda se prolongou mais algum tempo com perguntas e respostas, mas principalmente com opiniões centradas na dificuldade em atrair mais cidadãos para o movimento associativo e poucos apoios, ou falta deles, dispensados pelos poderes instituídos, levando as associações a “perderem” mais tempo a angariar recursos do que propriamente a desenvolver iniciativas.
Outra referência importante, e consensualmente aceite, é a mais-valia que encerra a participação cidadã no movimento associativo.
A Junta de Freguesia agradece a disponibilidade de todos quantos se dignaram estar no Encontro na tarde de sábado e, particularmente, aos três cidadãos que honrosamente aceitaram o convite para conversar com os participantes e recorrendo à sua vivência e práticas associativas e académicas, deixaram um inestimável contributo para este sempre presente debate nas sociedades de todos os tempos. Bem-haja a todos e quem nos lê conclua e continue a reflexão com inovação no debate sobre esta vertente também decisiva para a qualificação da vida das nossas comunidades.

